Primeiro Estudo sobre Self Check-in em Alojamento Local: Dados, Benefícios e Tendências

Pela primeira vez em Portugal e Espanha, a homeit reune dados concretos sobre a adopção do self check-in no alojamento local. Mais de 400 gestores, representando cerca de 2800 propriedades, partilharam como trabalham hoje e o que esperam do futuro, em inquérito online. O retrato é claro: o self check-in deixou de ser exceção para se tornar prática corrente — com nuances interessantes sobre quando, como e porquê é usado.

Este estudo mostra não apenas números, mas também tendências que ajudam a compreender a transformação de um setor que vive da hospitalidade, mas que precisa cada vez mais de eficiência e de flexibilidade.

O self check-in é já a norma em Espanha e Portugal

O retrato é inequívoco: o self check-in deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar a regra no alojamento local ibérico.
Dos 409 gestores que responderam ao inquérito, 76,5% afirmam já utilizar alguma forma de check-in autónomo. Entre os restantes, impressiona a disposição para mudar: mais de 9 em cada 10 estão a considerar adotá-lo a curto prazo.

Este dado traduz-se numa mensagem simples: a questão já não é se o self check-in será implementado, mas quando.

Para crescer, é inevitável automatizar

Os dados confirmam a tendência: quanto maior o número de alojamentos sob gestão, maior a probabilidade de usar self check-in. Entre gestores com mais de 20 unidades, a taxa de adoção ultrapassa os 90%. É um resultado lógico: à medida que a operação cresce, a automatização deixa de ser uma opção e passa a ser indispensável.

O que surpreende é o ponto de partida. Mesmo entre quem gere apenas um alojamento, 69% já recorre ao check-in autónomo — quase 7 em cada 10. Pela lógica habitual, seria de esperar que os pequenos anfitriões se mantivessem mais “tradicionais”, preferindo o contacto presencial. Mas não é isso que acontece. O dado desafia a ideia de que a automação seria apenas uma necessidade dos grandes operadores. O que vemos é diferente: a conveniência tornou-se tão valiosa que já entrou no quotidiano dos anfitriões individuais. Para muitos, o self check-in é menos uma questão de escala e mais uma forma de libertar tempo, reduzir fricção e oferecer uma chegada mais fluida aos hóspedes.

Mais AL sob gestão significa mais self check-in

O estudo também procurou perceber em que situações os gestores recorrem ao self check-in. As respostas são claras: a grande maioria já o utiliza como modo principal de chegada.

  • 63% dos inquiridos indicam que o self check-in é o método habitual para todos os hóspedes.
  • 21% afirmam usá-lo apenas em situações específicas — como chegadas tardias, quando não podem estar presentes ou em determinados alojamentos.
  • Apenas uma minoria residual prefere manter o check-in presencial como regra.

Este resultado mostra que o self check-in deixou de ser visto como uma solução “de emergência” e passou a ser a forma normal de acolher. Ainda assim, mantém-se a flexibilidade: para alguns hóspedes ou contextos, o encontro pessoal continua a ter lugar. Em 2019, pedimos o testemunho da gestora de Rent4Rest, Filipa Aguiar, que utiliza fechaduras inteligentes para imprevistos e melhorar segurança, mas não como método principal.

Tipos de utilização do self check-in

Porque é que os gestores apostam no self check-in?

Quando perguntámos aos gestores quais os principais benefícios do self check-in, as respostas concentraram-se em três grandes eixos:

  • Segurança: códigos únicos substituem chaves físicas, reduzem riscos de cópias e aumentam o controlo.
  • Poupança de tempo: menos deslocações para entregar chaves, mais tempo para tarefas de valor acrescentado.
  • Experiência do hóspede: flexibilidade na chegada, independência e privacidade.

Outros fatores, como a redução de custos operativos e intgração com PMS/OTA, também foram mencionados, mas de forma secundária. No conjunto, o retrato é consistente: o self check-in não é apenas uma solução técnica, mas uma peça estratégica que melhora a operação e a satisfação do cliente ao mesmo tempo.

 

A poupança de tempo representa a maior fatia nas vantagens mais mencionadas, seguida de 18% para a redução de custos e 14% para "menos problemas com check-in".

No poupar (tempo) é onde está o ganho

 

Fechaduras inteligentes como principal ferramenta

Nem todos os self check-ins são iguais. E não é bem deixar a chave por debaixo do tapete. Perguntámos aos gestores qual o método principal que utilizam para dar acesso aos hóspedes. Do universo que respondeu:

  • 62% recorrem a fechaduras inteligentes, que permitem acesso digital com códigos temporários.
  • 31% ainda dependem de cofres de chaves com PIN, onde deixam as chaves físicas.
  • O restante distribui-se por soluções híbridas ou alternativas residuais.

Esta estatística mostra que a transformação digital vai muito além de “automatizar” o processo: está também a eliminar a chave física. As fechaduras inteligentes representam hoje a maioria clara e consolidam-se como a solução de referência para quem procura segurança, eficiência e integração com PMS.

Para quem quer aprofundar o tema, já deixámos um guia prático sobre as melhores fechaduras inteligentes.

As fechaduras digitais dispensam chaves físicas

O self check-in já não é tendência. É o standard.

O inquérito focou-se depois nos benefícios e limitações e quão disseminado estaria a forma de self check-in na Ibéria. Seguem-se algumas conclusões.

Benefícios decisivos

  • Segurança: para 76% dos gestores é muito importante contar com fechaduras digitais que usam códigos únicos, sem recurso a chaves físicas.
  • Automatização: mais de 9 em cada 10 gestores consideram-na crítica, sendo que 56% a descrevem como essencial.

Limitações reais, mas ultrapassáveis

  • Os problemas técnicos (34%) surgem como a barreira mais citada, seguidos do custo elevado (16%), da comunicação com hóspedes (14%) e da tecnologia confusa (13%).
  • A mensagem é clara: a tecnologia deve simplificar, não complicar.

O futuro está traçado

  • Para 59%, o self check-in será essencial e standard no setor.
  • Outros 33% acreditam que será cada vez mais procurado pelos hóspedes.
  • Apenas uma minoria residual o vê como algo de nicho (5%) ou mantém preferência pelo presencial (3%).

Internamente, na Homeit, sempre nos perguntámos qual seria o futuro do check-in. Há dez anos, quando o alojamento local era ainda uma indústria emergente, não era evidente se o check-in presencial iria resistir ou dar lugar a alternativas. Nem sempre um setor escolhe o caminho mais eficiente — basta pensar no self-service nos restaurantes, que nunca se tornou norma, em grande parte porque a valorização do serviço à mesa continua a ser enorme.

Hoje, uma década depois, os dados falam por si. Este estudo desenha um cenário inequívoco: o self check-in deixou de ser apenas uma solução prática e passou a ser parte central da hospitalidade moderna.

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